Jornalista, produtora musical, baixista. Coordena os Festivais Baixo Brasil em todas as regiões do país. Editora da revista Baixo Brasil. Colunista musical de vários veículos de comunicação.

Clube Da Esquina

Publicado em 16/10/2009

Com muitos adeptos, admiradores, e simpatizantes,o Clube da esquina é referencia de qualidade musical brasileira.

Tudo começou com encontros de jovens músicos em Belo Horizonte/MG no início dos anos 60,que produziam um som que fundia as inovações trazidas pela Bossa Nova a elementos do jazz, do rock’n’roll – principalmente The Beatles –, de música folclórica dos negros mineiros e alguns recursos de música erudita e música hispânica. Estes artistas elevaram o nível da boa música e suas inovações saíram das “Gerais” e ganharam o país e o mundo.

 

Seus primeiros representantes foram Milton Nascimento, Wagner Tiso, Fernando Brant,Márcio Borges, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta e Paulo Braga. Com o tempo mais músicos e compositores foram agregando ao estilo. Mesmo apresentado uma nova perspectiva musical, o Clube da Esquina não foi visto pela mídia e pelos estudiosos como um movimento. Mas, sem sobra de dúvida, foi uma nova alternativa estética à música popular brasileira. Para entender um pouco na música produzida pelo clube da esquina e toda esta fusão, é preciso voltar no tempo e ver o que acontecia em termos culturais e musicais.

A bossa nova resgatava os aspectos rítmicos do samba e propunha um novo uso melódico das tensões harmônicas. Tinha o violão e voz como o centro da cena e seus temas cantados nas canções primam à naturalidade do amor, tratam das situações de maneira mais feliz e coloquial. No universo pop a partir dos anos 60, chega ao Brasil o rock’n’roll absolvido rapidamente pelos jovens por estar ligado a uma mudança de comportamento social. Muitos de seus seguidores cristalizaram estas informações com o surgimento da jovem guarda, onde cantores e compositores brasileiros procuravam reproduzir o ritmo com letras em português ou cantando no original. No mesmo período, o Brasil sofria um golpe militar de direita contra o qual toda a intelectualidade ligada à esquerda se mobilizou. No campo artístico, passa a ser produzida uma música de protesto. Alguns compositores que se destacaram nesta época foram Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Carlos Lira, Marcos Valle, Sidney Miller e Sérgio Ricardo.

Assim conviviam no cenário musical a música da Jovem Guarda, da Bossa Nova, a Canção de Protesto.

Aos poucos alternativas mais sofisticadas iam surgindo como a fusão de bossa nova com temáticas interioranas, partindo assim para uma estilização de ritmos populares,como o baião, a Tropicália, fazendo com que a música popular brasileira se diversificasse cada vez mais e consolidadde o que seria conhecido como MPB.

Nesta diversidade sonora o Clube da Esquina encontra seu espaço da MPB, com música de qualidade e incorporando todas estas informações.

Em 1970 Milton e os músicos do Clube da Esquina encontram seu próprio caminho sonoro.

Autêntico, característico e mais independente do passado da música brasileira. Esse disco tem a participação de Lô Borges e Naná Vasconcelos e composições dos irmãos Lô e Márcio Borges. Destaque para a percussão que não faz vai além do simples acompanhamento rítmico, para ser ouvida junto à voz e ao violão e com um volume maior que o usual das gravações.

Comentários para este artigo

  • Mariana Carvalho em 25/10/2009 às 10:06:30 Sou mineira e tenho orgulho deste movimento ter nascido em minha cidade! Só dá um pouco de melancolia, pois nos tempos atuais ninguém mais cria algo com essa verdade.

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